segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Viver Sem Arrependimentos





Ela se olha diante do espelho, pela primeira vez em muito tempo, ela se sente completamente bonita, seus cabelos ondulados estão soltos, e seus olhos pretos estão mais escuro do que de costume, ela veste o vestido vermelho que ele lhe deu, sua mãe diz que não gosta desse tipo de vestido, principalmente que ela  use para encontra – ló, ela apenas dá de ombros, pela primeira vez ela está tomando decisões por si só.



Ela caminha até seu carro, encarando o céu estrelado acima de sua cabeça, seu coração acelera ao pensar que ele está a sua espera, ela dirige rápido demais, ignorando todos os conselhos que sua mãe havia lhe dado, está indo em direção á ele, o que mais quer é não se arrepender de ter tomado essa decisão, viver sem arrependimentos é tudo o que ela quer.



Ela está indo atrás de algo que nunca teve, duvidas percorrem seus pensamentos, enquanto isso em algum lugar ele espera por ela, escondido atrás de um cigarro, seu coração bate ainda mais forte á medida que ela se aproxima dele, em poucos minutos estarão juntos novamente.



Ela continua dirigindo rápido demais, ignorando todos os limites de velocidade, o vento frio bate contra seu rosto, isso faz com que ela feche um pouco a janela, aumenta a velocidade, sente a necessidade de estar perto dele o mais rápido, possível,  está se apaixonando por ele e nem sequer se deu conta disso.




Ela tem tantas palavras não ditas, tantas coisas que precisa dizer, precisa que ele saiba que tudo o que ela sempre procurou está em seu sorriso.




Sorri ao lembrar – se de seus olhos castanhos e de seus cabelos desgrenhados, uma luz bate forte contra seu rosto, e seu sorriso é á ultima coisa que ela vê.




Ele continua esperado por ela, veste a mesma calça preta rasgada nos joelhos que usava no dia em que se conheceram, veste a camiseta azul que ela lhe deu em seu aniversario, passa a mão por seus cabelos cumpridos que descem em um corte desgrenhado á altura das orelhas, seu coração bate forte a medida que cada carro se aproxima, anseia pelo momento em que ela estará em seus braços novamente.




Ele joga seu cigarro, quando vê seu nome aparecer no visor de seu celular, ele sabe o quanto ela odeia que ele fume, atende ao telefone sabendo que do outro lado da linha ela provavelmente estará se desculpando por não ter chegado ainda, ela sempre se atrasa, mas isso não o incomoda. Não mais, ele já se acostumado com sua demora, ela sempre valia a pena, ela parece ficar mais linda á cada dia.



Para sua surpresa a voz do outro lado da linha não é a dela, a mulher do outro lado tem uma voz muito parecida com a de sua mãe, ela diz que seu numero esteva na lista de emergência, essas palavras o atinge como socos no estomago.




Não pode ser, ele diz a si mesmo, enquanto a mulher do outro lado da linha diz coisas as quais ele nem presta atenção. Ele dirige rápido demais, pisando cada vez mais fundo no acelerador, não se importa com o que possa lhe acontecer, tudo o que ele precisa é chegar até ela, lagrimas rolam por seu rosto enquanto ele corre por aqueles corredores frios, o ar parece faltar aos seus pulmões.




Ele vê sua mãe sentada na sala de espera, ele se aproxima com receio, ele pode ver o ódio em seus olhos, ela nunca á quis com ele, sempre quis que isso terminasse.





Então ela diz á ele as palavras que ele nunca esperou ouvir, enquanto ela fala ele sente como se milhares de pedaços de vidros batessem contra sua pele, lagrimas rolam por seu rosto á medida que sua fixa cai, ela não chegaria até ele, nunca mais.





Ele cai de joelhos em meio as lagrimas ao constatar que ela nunca mais estaria em seus braços, um pedaço de seu coração parece faltar, a dor é tão insuportável que em alguns momentos fica difícil até mesmo respirar.





Ela havia partido, havia partido sem ouvir as palavras que ele tanto guardou coisas que ele sempre teve medo de dizer, ela se foi sem ouvir o “eu te amo” que ele tanto temeu que saísse de seus lábios, ele bate a mão sobre seu bolso da calça sentindo a pequena aliança prateada que ele lhe entregaria naquela noite.





Ele continua ajoelhado, em meio á lagrimas e palavras nunca ditas, lembrando –se de que viver sem arrependimentos é tudo o que ela queria.


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